sábado, 9 de maio de 2009

Foi uma bela tarde, apesar de tudo.
Apesar do calor. Apesar dos sapatos mal escolhidos. Apesar do saldo do multibanco.
Nunca encarei a feira do livro como os saldos da Camper ou da Gardénia. Nunca crio expectativas quanto ao que lá irei encontrar e nunca, nunca mesmo, corro atrás de autógrafos ou dedicatórias em livros acabadinhos de comprar. Embora tenha já acontecido, claro, mas pedi ao Sr. Joaquín Salvador Lavado que o dedicasse à minha querida irmã. E foi lindo, confesso, porque vi nascer do nada aquele balão e a assinatura que tão bem conhecia daqueles livros.

Este ano não fugiu à regra. Foi uma feira bonitinha, embora se contassem mais roulottes de morfes que propriamente de editoras e livreiros. E, honestamente, o cheiro a farturas não combina com nada a não ser com carrinhos de choque. Que enjoo!

Quando decidi dar um descanso aos meus pobres pés cansados, sentei-me quase ao mesmo tempo que um miúdo de 10 anos, vergado pelo peso dos sacos de compras. E eu de mãos a abanar. Sim, porque eu preciso de dar 2 voltas para decidir onde gastar os meus poucos euros e só depois é que ataco.
- Bem! Tu vens carregado! Fizeste muitas compras?
- Sim. Trago dois sacos com livros, mas podia ter trazido três. Só que como achei que eram muitos optei por trazer só dois.
- Ah bem. E que compraste?

- Muita coisa boa - ao que ele debitou nomes de histórias e autores que, confesso, desconheço - mas ainda faltam-me dois do Calvin & Hobbes. E tu? Ainda não compraste nada?
- Eu não, ainda não, estou indecisa...
- Entre o quê?
- Entre uma grande paixão minha, de um senhor chamado Rushdie, de um outro inglês o McEwan. E meia dúzia de outros norte-americanos...
- Ah! Não, acho que não os conheço...
- Pois, imaginei que não. Mas olha que vais conhecer, tenho a certeza. E também tenho a certeza que vais gostar.

E ficámos ali os dois, cúmplices, na sombra, a observar a bruxa Mimi e as pessoas que passavam.
Foi uma tarde boa.

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