sexta-feira, 29 de maio de 2009

Hoje acordei às 8. Com umas dores estranhas, uma força a empurrar as minhas entranhas. Parecia que havia qualquer coisa a querer sair de dentro de mim.
Fui para a cama dela e enrosquei-me junto à sua barriga. Estava quentinha. Mas mesmo assim não consegui parar quieta, a dor continuava e os empurrões lá dentro estavam mais fortes.
De repente senti-me molhada. Havia um líquido estranho a sair de dentro de mim. Ela acordou, sentiu o molhado daquela água estranha junto à sua barriga. O outro estava junto à cama, observava-me curioso. Os meus sons eram diferentes esta manhã.
Ela levantou-se e eu fui atrás. Estava muito assustada com todas aquelas dores e empurrões e águas.
Ela foi para o quarto interior e eu segui-a. Apesar de parecer muito surpreendida, pegou em mim e colocou-me no cesto da roupa lavada, aquele de que eu gosto tanto. Depois fiquei ali. A sentir os puxões e os empurrões e a tentar arranjar uma posição que fosse minimamente confortável. Eu estava assustada. Olhava para ela e ela respondia-me, que ia correr bem, que eu devia empurrar e ter muita calma.
Saiu e deixou-me lá ficar. Aflita. Voltou com uma chávena de café e as torradas. Deu-me um bocadinho de queijo. Adoro queijo e ela sabe.
Depois começou a aparecer uma coisa escura e pontiaguda e a dor era cada vez maior. Ela continuava ali, a mexer-me na cabeça, a dar-me beijinhos no nariz.
Então eu vi: uma coisinha minúscula tinha saído de dentro de mim e, de repente, a dor tornou-se mais suportável. Aquela coisinha era incrivelmente suja e eu, que sou obsessiva com as limpezas, tratei logo de o limpar. Depois saiu outra e depois outra. Limpei-as logo às duas. E descansei.
Ela saiu, com um olhar de missão comprida mas ainda de surpresa.
Voltou daí a pouco com água, leite e comida. Para mim. Mas eu não me apetecia comer. Só queria acabar as minhas limpezas e descansar um bocadinho.
Ela olhou-me e depois olhou para as estranhas coisas que agora partilhavam o cesto da roupa lavada comigo. Sentia que as contava: uma, duas, três... quatro! Ficou horrorizada. Eu senti.
E apeteceu-me dizer-lhe, gritar-lhe, na língua que ela fala: mas como é que não percebeste que estava prenha??? ando a comer como uma loba! estou gorda que nem uma vaca! e as minhas maminhas estão mais inchadas que as da Samantha Fox!!!

Ela ainda continua com um ar de incrédula. Mas eu não. Agora eu estou, finalmente, a descansar.

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